Muitas empresas realizam campanhas internas de mobilização para ajudar a socorrer vítimas de calamidades públicas, como os desabrigados de enchentes. Também não são raros casos em que as companhias prestem ajuda financeira nessas ocasiões. O tema deixa uma importante questão em aberto: essas ações podem ser consideradas investimento social privado?
“As empresas não podem apenas ajudar no imediatismo, devem ter uma estratégia para contribuir com a sociedade dentro de um plano estratégico, visando melhorar as condições de vida das pessoas ou transformar as estruturas sociais e econômicas”, analisa Luiz Carlos Merege, professor do Departamento de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O estudioso lembra que as ações sociais emergenciais vinculam-se a um sentimento humanitário, não necessariamente integrado a uma medida administrativa ou racional da companhia, com processo de planejamento anterior e avaliação sobre uma política social condizente com o negócio.
“O que falta à maioria das corporações é um investimento social permanente”, analisa Merege, idealizador do Centro de Estudos do Terceiro Setor (CETS), da FGV. “Porém, aquelas que já possuem medidas nessa linha, ao se deparar com uma situação imediata, podem tanto socorrer uma população quanto inseri-la, posteriormente, nos seus programas sociais pré-existentes.”
A diretora Administrativa do IDIS, Silvia Bertoncini, pontua que a realização de uma ação emergencial pode ser a primeira iniciativa para que companhias que não pratiquem o investimento social privado passem a fazê-lo. “Isso pode ajudar a sensibilizar a organização que, posteriormente, poderá destinar de maneira mais estratégica os seus recursos”, explica Silvia. A estratégia, alinhada ao negócio, poderá ajudar a promover localmente uma transformação social de longo prazo.
A supervisora do Núcleo de Responsabilidade Social Empresarial (RSE) do Serviço Social da Indústria (Sesi) de São Paulo, Maria Luiza Semple, concorda com a opinião de que as campanhas emergenciais não podem ser classificadas como investimento social privado. Isso porque as arrecadações são pontuais e esporádicas.
“Contudo, essas atitudes são muito válidas, pois o Brasil possui populações muito carentes cujos governos não conseguem suprir todas as necessidades”, afirma. Maria Luiza explica que as ações pontuais sazonais podem fazer parte do escopo da empresa – como arrecadações de alimentos e brinquedos para o Natal, de agasalhos no inverno, entre outras. Só é preciso deixar claro que são iniciativas de voluntariado, pois envolvem a participação dos funcionários.
A supervisora cita como exemplo a ação de arrecadação de alimentos, roupas e produtos de higiene realizada pelo Sesi-SP em maio de 2009. A intenção era ajudar as vítimas das enchentes que atingiram as regiões Sul, Norte e Nordeste no período. De acordo com dados da Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), do Ministério da Integração Nacional, apenas até 10 de junho, mais de 1 milhão de pessoas sofreram prejuízos com chuva, sendo que 450 mil ficaram desabrigadas ou desalojadas em 13 estados (Amapá, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e Santa Catarina).Divulgação: Angar da FAB, em Guarulhos, onde foram deixadas as doações do Sesi, Senais e Fiesp
Após uma decisão da Diretoria Regional do Sesi e Senai em auxiliar a população do Norte e do Nordeste, a entidade agiu rapidamente. Enviou comunicados sobre a campanha de arrecadação de donativos para 38 escolas do Senai e 21 Centros de Atividades do Sesi, todos em um raio de 150 quilômetros da capital paulista.
“Como tínhamos apenas quatro dias entre arrecadar e entregar os produtos à Defesa Civil, optamos por centralizar a ação em escolas da Grande São Paulo, para que tudo ocorresse rapidamente”, recorda. A Defesa Civil encarregou-se de contatar a Força Aérea Brasileira (FAB) e logo na semana seguinte os aviões partiram com os suprimentos para o Norte e Nordeste. A iniciativa teve o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Resultado: 50 toneladas de produtos arrecadados de 19 a 22 de maio. De caminhões e Kombis, e com ajuda da Defesa Civil, os materiais foram transportados para o almoxarifado central do Senai-SP, em São Bernardo do Campo (SP), onde foram armazenados, embalados em kits e, posteriormente, levados para a base da Força Aérea Brasileira, em Guarulhos (SP).
Maria Luiza atribui o sucesso da missão em tempo recorde à imagem de confiança que a organização possui em relação às pessoas. “A comunidade prefere entregar uma doação a uma entidade reconhecidamente idônea e, pela nossa atuação local, ganhamos credibilidade”, analisa
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
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